Once Caldas 0 x 1 Fluminense (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigas, o Fluminense estreou com vitória na noite desta terça-feira em Manizales, a cerca de 2.100 metros de altitude, após uma logística que incluiu a ida de Fortaleza direto para a Colômbia.
São dois aspectos que podem explicar algumas dificuldades da equipe em campo. Ainda que não seja Quito ou La Paz, a verdade é que a bola rola um pouco mais rápido do que ao nível do mar e isso atrapalhou um pouco o Fluminense.

Pressionado no início, acabou encontrando uma forma interessante de jogar a primeira etapa. Cozinhou o Once Caldas com toques de bola em seu próprio campo. Quando o adversário perdeu o ímpeto inicial para pressionar nossos defensores e meias, começamos a ganhar espaço.

O que incomoda nesse período do jogo é ver que o Fluminense cria situações de perigo para o adversário, mas todas têm a assinatura de Arias. Que bom que temos o colombiano, o homem de ferro com talento, arte e técnica, mas a dependência de um jogador para fazer as coisas acontecerem não é um ponto positivo.
Felizmente, de uma dessas articulações de Arias saiu o belo gol de Cano. Arias tabelou com Guga, foi ao fundo e cruzou na cabeça do artilheiro, que finalizoru no contrapé do goleiro, lá na bainha da rede.

Num saldo geral, foi o time colombiano que esteve mais perto do gol tricolor. Freytes começou o jogo combinando uma postura defensiva preocupante com uma boa saída de bola, até que cometeu o primeiro erro. Parece ter mais problemas de confiança do que técnicos.

Marcão demorou demais para mexer no time na segunda etapa e o Fluminense passou cerca de 20 minutos totalmente dominado, demonstrando inferioridade física. O Once Caldas se aproveitou disso e esteve próximo de encontrar o gol de empate.

Quando substituiu Canobbio e Lima por Lezcano e Serna, o Fluminense reequilibrou o jogo. Com a entrada de Bernal no lugar de Hércules, que continua devendo aquilo que ele mesmo prometeu, o time ganhou consistência. Se, no primeiro tempo, chegava tocando a bola com paciência, a partir de agora o Fluminense explorava bem os espaços deixados às costas de meias e zagueiros adversários. O gol esteve próximo de acontecer em jogada espetacular de Arias e cabeçada de Lezcano após belo lançamento de Martinelli e grande jogada de Serna. A bola explodiu na trave.
O Prêmio Nobel do Esporte teve outras grandes oportunidades, mas falhou em concluir as jogadas, ainda que a recíproca, por parte do Once Caldas, tenha sido verdadeira. O jogo terminou na base da trocação, que nem era boa para o Fluminense, mas o saldo acabou sendo positivo.

Eu queria falar sobre a demissão do Mano, mas parece que perdi a viagem. Não deu tempo nem de reclamar e de embasar a minha crítica, já se fora mais um treinador. E eu acho muito engraçado que as pessoa diziam que o Fluminense estava montando um elenco que pudesse encorpar mais o seu estilo. E agora? Vamos?

São coisas muito estranhas para quem pensa em projeto futebolístico, mas a verdade é que a canoa já estava furada. A verdade é que o Fluminense sobreviveu a 2024 porque ainda tinha uma sobra de identidade da era Diniz, que ganhou o reforço do realismo de Mano. Virou a temporada e o Fluminense voltou como um time sem identidade alguma. Se antes defendíamos bem e tínhamos dificuldades de criar oportunidades de gol, desde o Fla-Flu decisivo do Flamengão ficou claro que não tínhamos mais nada. Inclusive por algumas escolhas do próprio treinador, que mexeu em aspectos do time que estavam dando certo e desarticulou a engrenagem.

Praticamente, voltamos à estaca zero. Nem vou, por isso, condenar a escolha pela continuidade de Mano. Eu tinha dúvidas sobre isso. Você só poder dizer sim ou não e arcar com as consequências. Não deu certo e temos uma temporada dura pela frente, aparentemente com bons recursos humanos e alguns desequilíbrios. Precisamos aguardar os próximos capítulos.

Desculpem a dificuldade de oferecer respostas ou análises mais claras. É que fica difícil analisar um trabalho que talvez nem a direção do Fluminense saiba o que é ou a que veio. Haja vista, mais uma vez, a incapacidade de a instituição, como um todo, declarar seu grande objetivo na temporada.

Ficou tal tarefa para a crônica esportiva e para a opinião pública, que indicam o Fluminense como candidato à famosa e nada lisonjeira água de salsicha no Brasileiro. Não briga por título, não briga por G-4 e não briga contra rebaixamento. E, ao que tudo indica, a julgar por comentários e entrevistas, o Fluminense, que deveria estar pensando no título, concorda que teremos um ano satisfatório se não sofrermos com o risco de rebaixamento. O que nos equipara a times que têm como único objetivo permanecer na Série A para a próxima temporada.

Uma visão espetacular para um time que disputará daqui a pouco o maior Mundial de Clubes da história.

Saudações Tricolores.