O dinizismo ficou para trás? (por Flavio Souza)

É preciso reconhecer, e creio que a maioria das pessoas concorda, que Fernando Diniz fez um bom trabalho em 2023 e que teve importante contribuição nos títulos inéditos da Copa Libertadores e da Recopa. Também acredito ser quase unânime a avaliação de que o modelo se exauriu, seja porque houveram algumas mudanças no elenco, seja porque os adversários aprenderam a nos enfrentar.

Fernando Diniz acabou demonstrando ter poucas alternativas táticas, continuou a apostar nas escalações geriátricas e na inútil toqueira, colocando o Fluminense na lanterna do Campeonato Brasileiro. Suas entrevistas coletivas eram sempre um desastre, se mostrando descontrolado emocionalmente e atacando os jornalistas. Acabou sendo tardiamente demitido, apesar de ter tido seu contrato inexplicavelmente renovado poucas semanas antes da demissão.

Eu não fui um entusiasta da contratação do técnico Mano Menezes, não via grandes resultados nos seus últimos trabalhos e preferia a contratação de um técnico da nova geração. Mas depois de pouco mais de um mês de trabalho do novo técnico começamos a ver alguns sinais de melhora nas atuações da equipe.

É auspicioso ver que as improvisações malucas e inexplicáveis acabaram. Muito bom ver volantes jogando no meio campo e atacantes jogando no ataque. Acredito que a performance do excelente jogador Martinelli esteja sendo prejudicada até agora pela quantidade de vezes que ele foi improvisado como zagueiro ao longo deste ano. Mano até comentou a respeito na entrevista pós-jogo da partida contra o Palmeiras.

É claro que a situação do Fluminense na tabela ainda é muito difícil e que demandará muito esforço e foco para ser resolvida, mas vejo as atuações do time melhorando jogo a jogo.

Espero que o rejuvenescimento do time em campo continue, que a intensidade em campo seja mantida e continuaremos a ver a incrível conexão com a torcida tricolor quando jogarmos em casa.

É ainda muito cedo para avaliar o trabalho do Mano Menezes no Fluminense, mas os sinais são ótimos e torço para que dê certo e não só permaneçamos na primeira divisão do Campeonato Brasileiro mas que também possamos buscar pelo menos uma das duas copas que estamos disputando.

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Foi noticiada mais uma transação de venda de um jovem jogador do Fluminense. Segundo setoristas do clube, Kayky Almeida, de apenas 19 anos, estaria sendo vendido para o Watford da Inglaterra por apenas 1 milhão de Euros, cerca de 6 milhões de Reais, por 80% dos seus direitos econômicos.

Kayky é um zagueiro alto e promissor, com passagens pelas seleções brasileiras de base, teve pouquíssimas chances no time profissional e teve seu contrato recentemente renovado até o final de 2027 com uma cláusula de rescisão de dezenas de milhões.

É inaceitável que essa transação aconteça. É preciso que a gestão do clube seja chamada para explicar a necessidade deste péssimo negócio para o clube.

Outra coisa que precisa ser explicada pela gestão é a coincidência com esse clube inglês. Nada menos do que três jogadores de Xerém já foram vendidos para este mesmo clube: Richarlison, João Pedro e Matheus Martins.

A gestão também precisa explicar a promessa feita na campanha de acabar com as “más negociações feitas por má capacidade negocial”.

Isso é uma vergonha!