Libertadores & Brasileiro (por Mauro Jácome)

LIB BRASE deu Olímpia.Na coluna anterior, “Olímpia ou Tigre?”, disse que tinha uma preferência por ter o Olímpia como adversário. É bem melhor que o Tigre e procura o jogo, ao contrário dos argentinos, que caçam confusão desde quando a bola é rolada. Por tradição, os brasileiros não sabem conviver com o estilo de jogo do Tigre.

Conhecido o inimigo, o Fluminense tem que estar muito bem preparado para enfrentar os paraguaios. O Olímpia tem experiência na competição, afinal, são três títulos. Essa parada foi boa para recuperar fisicamente vários jogadores. Na contramão, Thiago Neves foi para o espaço.

O jogo em São Januário é importantíssimo, mas não é de vida ou morte. Tem a volta. Se o Fluminense entrar pensando em dois, três, quatro gols, não conseguirá marcar o primeiro, o nervosismo e a afobação vão bater e o time poderá travar. Um clichê: é um jogo de 180 minutos.
E os estaduais?

Há fortes correntes para o fim dos estaduais. A mobilização em torno das finais dos Campeonatos Paulista e Mineiro mostra o quão importantes são para alimentar a rivalidade. A boa, não aquela batalha urbana de Santos.

Esses torneios precisam ser revistos urgentemente e não descontinuados. Contrapondo-se o público da maioria dos jogos com o interesse despertado pelas decisões, há provas cabais (lindo isso, né?) da importância desses campeonatos.

Diante de todas as cartas colocadas à mesa, suspeito que haja ações deliberadas no sentido de que esses campeonatos sejam, cada vez mais, desinteressantes, para que se chegue, em breve, à conclusão de que são inviáveis, obsoletos, um fardo muito pesado para se carregar, única e exclusivamente, em nome da tradição. E o porquê dessas ações? Pensemos: o horário de domingo à tarde e o de quarta-feira à noite são muito nobres para serem desperdiçados com Fluminense x Quissamã, Vasco x Audax, Flamengo x Olaria, Botafogo x Resende. Os anunciantes oferecem mais pelos jogos que mencionei ou por Fluminense x Corinthians, Vasco x Santos, Flamengo x Atlético Mineiro e Botafogo x São Paulo? Resposta simples, não? Uma necessária reestruturação vai de encontro aos interesses comerciais. Talvez, daí todo esse desinteresse com os estaduais.
Sumário do Brasileiro

No próximo fim de semana, começa o Brasileiro. Para o Fluminense, enquanto estiver priorizando a Libertadores, o campeonato ficará em segundo plano. Diferentemente do ano passado, este ano, a disputa tende a ser mais acirrada. Novos postulantes entram na briga, principalmente, Cruzeiro e Grêmio. O time mineiro reforçou-se bem. No segundo jogo da decisão do Campeonato Mineiro, fez um excelente primeiro tempo e sobrou frente ao badalado Atlético. Não fosse o erro grosseiro da arbitragem em marcar um pênalti inexistente para o Galo na tentativa de compensar os dois marcados para o time celeste, as manchetes de segunda-feira poderiam ser diferentes. Fábio, Everton Ribeiro, Borges e Dagoberto são bons jogadores. Diego Souza, tecnicamente, também o é, mas se envolve demasiadamente com o clima emocional do jogo, ora se tornando omisso, ora se portando como filho único e isso atrapalha seu futebol. O Grêmio, livrando-se de Luxemburgo e Cris, tem elenco para fazer frente aos demais favoritos.

Ainda fazem parte dos protagonistas do espetáculo: o nosso Fluminense, Corinthians, São Paulo, Internacional, Botafogo, Atlético Mineiro e Santos. Corinthians é dos mais fortes. No entanto, algumas saídas podem diminuir sua força, principalmente, se o excelente multifuncional Paulinho for para a Europa. O São Paulo tem vários jogadores de nível, mas não consegue formar um time, mesmo tendo o competente Ney Franco no comando. Se acertar o time, ficará no bolo dos melhores. O Inter sempre está na lista dos favoritos, mas não tem conseguido fazer campeonatos à altura da fama. O Botafogo melhorou o elenco, tem Seedorf e um time experiente. Acredito que fará um bom campeonato. Se o Neymar ficar, o Santos precisará de uns dois ou três reforços para fazer frente. Caso o menino de ouro se vá, sai da lista. O Atlético Mineiro fecha a minha relação de candidatos. Tem um bom elenco, um bom técnico, uma torcida alucinada e um campo que o ajuda. No entanto, precisa melhorar o desempenho fora do Independência. Outro ponto que pode se tornar favorável: o ânimo do Ronaldinho em provar que o Felipão está errado.

Mauro Jácome

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

4 Comments

  1. Espero que os Estaduais jamais acabem e lamentei o Flu ter perdido o deste ano, talvez o mais fácil de todos os tempos, pois só tinha o Foguinho como adversário. Precisamos recuperar a hegemonia fluminense! Mas os Estaduais, principalmente o inchado carioca de 16 clubes, devem ser reformulados. Creio que um caminho é adotar o parâmetro que passa a vigorar na Copa do Brasil, onde os times que estão na Libertadores entram na fase mais aguda, o que poderia ser traduzido nos 4 grandes entrando já em uma 4ª final de mata-mata, contra os 4 de menor investimento que viriam dos outros 12, aí poderiam até ser 16, seja na Taça GB ou na Taça Rio.

    1. É isso. Toda a rivalidade entre os times veio dos estaduais, mas, se não reformular, vai acabar uma hora ou outra. A TV tá doida para trocar os jogos de estaduais por nacionais, porque os anunciantes pagam mais.

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