1995, trinta anos depois (por Paulo-Roberto Andel)

Foi tudo muito rápido, acreditem. Trinta anos passaram a 200 km/H. Contudo, aquilo tudo de 1995 é muito intenso e permanecerá sendo. E não tem jeito: muita libra já pesou, foram muitas e muitas histórias mas a televisão colocou o gol de barriga em todos os espaços possíveis. Mexe com todo mundo.

Apesar de ter sido ídolo do Flamengo, Renato Gaúcho é vaiado e xingado em todos os jogos de fim de ano promovidos por Zico. Ele quase ri ao comentar o motivo dos palavrões, porque sabe onde estava há trinta junhos.

Depois de dois dias de farra da torcida, voltamos ao normal. O Fluminense é um time que joga mal há mais de um ano, a massa tricolor não aguentava mais tanta mediocridade e cobrou mudanças. É bom que se diga: elas só vieram porque caiu muito bem jogar uma cortina de fumaça no escândalo da SAF – não fosse isso, Mano talvez sangrasse por várias rodadas.

Renato Gaúcho. Sai de cena o líder de um dos maiores títulos de todos os tempos, entra o treinador vitorioso e contestado, que ganhou seu primeiro título à beira do campo justamente no Flu, com a única Copa do Brasil que temos.

Trinta anos passam rápido. Renato agora tem a missão de recolocar o Fluminense nos trilhos. A seu favor, ter estofo e peso de ser um dos treinadores que mais dirigiu o Tricolor. Contra, pelas contestações de seus métodos. A favor: arrumar as defesas de seus times e enchê-los de farra. Contra: também ter vários fracassos. E é nesse mar de alternativas que o inesquecível camisa 7 de 1995, agora um sessentão cheio de atitude, encara o desafio de escrever mais um capítulo da história dessa união que já permitiu títulos colossais e também lágrimas.

Nós, tricolores, gostando ou não do estilo do treinador Renato, precisamos que dê tudo certo. Já nos basta essa gestão insana para travar o caminho do Fluminense. Tal como em 1995, começaremos desconfiando, mas existe a enorme esperança de se reviver pelo menos pedacinhos do que foi a festa do gol de barriga. Estão rolando os dados. O tempo não para.

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